Internet das Coisas amplia horizontes da Unitec

Módulo IoT será referência mundial.

25/01/2017 08:00
​​​​​​Com uma das maiores estruturas de fábrica e capacidade de produção do segmento de microeletrônica do Brasil, a Unitec Semicondutores vai iniciar a produção de módulos de internet das coisas (IoT), equipamento responsável por estabelecer a conexão com objetos do dia a dia por meio de radiofrequência. A nova aposta faz parte da estratégia da empresa que é oferecer soluções integradas que vão muito além dos chips. O investimento na produção não foi revelado, mas segundo o gerente de Desenvolvimento de Negócios da Unitec, Edelvício de Souza Junior, o desenvolvimento será possível por meio de uma parceria firmada há pouco mais de uma semana com o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais.
"Vamos desenvolver um módulo IoT que vai ser uma referência mundial", afirmou o executivo, durante evento realizado ontem no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), na região Centro-Sul da Capital. A solenidade oficializava uma parceria entre o banco e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) para financiamento de projetos em comum. Durante o evento, o diretor-presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, afirmou que a organização apoiava 14 empresas mineiras por meio de seus núcleos espalhados pelo Brasil. Ao fim da apresentação, o gerente da Unitec anunciou que agora seriam 15 empresas, já que a Unitec havia acabado de firmar parceria com o Inatel, que é um dos núcleos da Embrapii em Minas Gerais.

De acordo com a assessoria de imprensa da Unitec, o módulo IoT será produzido em uma das plantas da empresa, que tem uma fábrica em Contagem e uma em Ribeirão das Neves, ambas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O equipamento é baseado em uma plataforma de hardware completa que permite que ele navegue entre as principais tecnologias de comunicação por rádio frequência IoT em desenvolvimento no mundo, modificando apenas o software embarcado. É esse aparelho que permite a conexão com objetos, como eletrodomésticos e câmeras de segurança. Com esse tipo de tecnologia é possível, por exemplo, localizar a chave do carro perdida em casa por meio do celular e verificar uma vaga de estacionamento disponível na rua antes mesmo de se deslocar para algum lugar.

O módulo será utilizado nos próprios produtos da Unitec, que já oferece uma série de aplicações dos chips semicondutores, como soluções nas áreas de iluminação pública, gestão de coletores de resíduos, cartões e etiquetas inteligentes e rastreamento de produtos. Além disso, a Unitec também comercializará o módulo para outras empresas integradoras de sistemas embarcados no Brasil. De acordo com a empresa, um trabalho de divulgação da plataforma já está sendo desenvolvido junto a startups e universidades. A ideia é oferecer a elas um "kit de desenvolvimento" com conexão em nuvem. "A partir desse módulo vamos criar um ambiente de desenvolvimento para que as nossas startups e universidades experimentem um progresso em nível nacional a partir de uma oportunidade local", destacou Junior.

Por motivos estratégicos a empresa não revelou o investimento no desenvolvimento do novo produto e nem abriu informações sobre metas de produção e faturamento. Sobre a escolha do Inatel como parceiro, a empresa afirmou que o instituto é "uma das principais referências do Brasil na área de comunicação de dados" e, por isso, é um importante parceiro para a ampliação das atividades de pesquisa, inovação e tecnologia. A Unitec também afirmou que enxerga de forma muito positiva a possibilidade de financiamento do projeto junto ao BDMG.

A Unitec está operando hoje com fabricação de chips por meio de infraestrutura de terceiros, pois sua planta em Ribeirão das Neves ainda não está pronta. A fábrica de Contagem, entretanto, já opera desde o ano passado com o processo de encapsulamento dos chips, que consiste na inserção de uma capa para proteger os contatos metálicos e permitir a leitura no computador. A expectativa da empresa para 2017 é faturar R$ 295 milhões.